quarta-feira, 3 de novembro de 2010

Estar Pronto


Acho que a gente se prende muito nessa coisa de encontrar a pessoa certa. A pessoa tem que ser adequada, deve ter o mínimo de defeitos possíveis, tem que ser assim ou assado, precisa falar as palavras certas na hora certa, precisa ser legal com todos sempre. Essas e mais tantas exigências, variando entre prioridades e futilidades. Mas deixamos de lado quem nós somos. Nós devemos ser a pessoa certa, não importa para quem. Devemos ser sempre o melhor que pudermos ser, nunca o razoável ou o aceitável; mas o melhor. Os outros nós não temos o poder nem o direito de mudar, mas a nós, nós temos total liberdade para modificar, melhorar, amadurecer.
A questão aqui não é o que o outro precisa mudar, mas o que nós devemos. É uma auto-avaliação. Nós devemos tornar-nos a pessoa certa, primeiro para agradar a Deus, e depois para nós e quem nos cerca.
E aí, quem sabe, com esse pensamento multiplicado, não seja tão difícil encontrar a pessoa certa ou ser a pessoa certa. É a famosa história dos quatro dedos que apontam para nós mesmos quando apontamos o indicador aos outros.

domingo, 31 de outubro de 2010

Nós somos loucos, e somos muitos



Nós somos loucos pra quem convive conosco, vivemos conforme os pensamentos de Alguém invisível, falamos o tempo todo com "o nada", lemos diariamente um livro escrito a milhares de anos atrás, acreditamos em milagres, dizemos 'não' para o "normal".
É, nós somos loucos, fazemos tudo isso. Nos chamem de fanáticos, burros. Digam que desperdiçamos nossas vidas, que somos inconsequentes. Nós servimos a um Deus, pedimos tudo pra Ele, vamos contra a multidão, fugimos dessa loucura da juventude de hoje, corremos do que a maioria julga ser normal.
Nós somos loucos por Deus, que nos ama incondicionalmente. Nós buscamos a vontade de Deus, que é a melhor sempre. Nós falamos com Deus o tempo todo, e Ele nos ouve. Nós vivemos como lunáticos, como pessoas diferentes da maioria, mais felizes que a maioria, com motivos pra sempre sorrir, sem medo do futuro ou do presente, com a felicidade única que encontramos em Deus.
A procura de todo mundo são, geralmente, três coisas: felicidade, ser diferente da maioria e fazer alguma diferença no meio em que se vive. Sabe a única forma de conseguir alcançar esses três alvos? Ter uma vida dentro da vontade de Deus. A tendência não é ser diferente? Nós, com toda certeza, somos.

quarta-feira, 6 de outubro de 2010

Those will be the best memories


Já faz quase um ano, vocês notaram? Eu comemorei a virada do ano e de repente estou em outubro, sem vocês. E, apesar de ter acostumado com a rotina, não é mais a mesma coisa. Sinto falta de vocês mais até do que conseguia imaginar. Resolvi ver velhas fotos, os vídeos que nós fazíamos. Nos encontrei tão diferentes que foi difícil de aceitar, em um pulo tudo mudou e eu nem vi. Cada um está no seu caminho, fazendo faculdade, trabalhando, tendo novos amigos, não sei se sobra tempo pra quem nós fomos um dia, acho que a vida meio que cobriu o que nós costumávamos ser. De um lado isso fez total diferença, amadureceu nossas mentes, fortaleceu. De outro lado nós perdemos grande parte de tudo que construímos em anos, nós éramos uma família e isso, de alguma forma, se perdeu em meio a tantas mudanças e exigências.
Não dá pra parar, nem voltar, nem nada. Eu raramente relembro, como se pudesse sufocar com a lembrança e a saudade apertada. Resolvi deixar tudo em um canto, sem mexer. E talvez essa tenha sido minha pior decisão, porque estou aos poucos matando o que me resta de lembranças.
Quando resolvi dar uma voltadinha ao passado entendi que não existe essa coisa de apagar tudo, esquecer, tocar a vida. Existe a saudade, muitas vezes camuflada, mas existe. E, mais uma vez, preciso deixar vocês irem novamente. É isso: vão, mas não esqueçam de quem nós um dia fomos, a saudade não vai permitir.

segunda-feira, 4 de outubro de 2010

Pra fora


Fazia um tempão que eu não chorava daquela forma. Chorei de desaprovação, de dor, de desespero, de raiva, de amor demais, de amor de menos. Chorei muito e pausadamente. A cada cinco passos era uma necessidade de sentar e chorar, só chorar.
É aquela coisa, as pessoas acham que chorar não é bom, não faz bem, mas acalmou meu desespero, me fez pensar. Nao guardei a dor, não poupei nada, nem um soluço sequer. Chorei querendo colocar tudo pra fora, porque fazia tempo que muita coisa estava guardada. Chorei por coisas perdidas, por palavras duras, por não me darem ouvidos.
E depois, mesmo com olhos pequenos e olheiras profundas, me senti aliviada. Foi somente ali, com os ombros pra baixo, os cabelos escondendo meu rosto e as lágrimas caindo no chão, que eu consegui finalmente colocar tudo no seu devido lugar. Entendi que a culpa não era minha, que eu só podia aconselhar mas nunca decidir pelas pessoas. Decidi largar tudo com Deus, de novo e de novo.
Uma sensação de paz me inundou, aquela paz que excede todo entendimento e que estava batendo na minha porta. Embora as olheiras ainda não tenham desaparecido, nem eu tenha visto tudo ser resolvido em todas as situações, uma coisa eu sei ao certo: aquela paz não vai embora.

sábado, 25 de setembro de 2010

Sem farsas: a transparência


Ando acompanhando de perto a vida de duas meninas e, agora, de uma terceira também. Tenho aprendido muito sobre como esse tipo de relacionamento deve ser e como através dele nós podemos agradar a Deus e buscar santidade. Transparência pra mim é a palavra-chave nisso. Enquanto eu estou ali acompanhando e crescendo com elas, eu estou treinando a minha transparência e, consequentemente, esperando que elas a exercitem também. É difícil ser transparente, nós acostumamos a fingir que o que precisamos mudar simplesmente é coisa pouca e que logo tudo se ajeita. Nós usamos máscaras e, antes que isso pareça total hipocrisia, nós as usamos pra tentar camuflar um pouco a nossa total dependência de Deus, nós gostamos de fingir que nos bastamos.
Discipulado. Não estou procurando meninas perfeitas, mas meninas com vontade de ser mais semelhantes a Deus, meninas que não andam a cinco palmos do chão, mas que desejam de todo coração andar no caminho que Deus tem pra elas. Discipulado é isso: é vida na vida. E quando digo vida, é porque não estou procurando a farsa de uma, mas é aquela vida cheia de falhas que Deus, com todo o amor dele, muda, molda, transforma. Até que tudo esteja de acordo com os planos dele. Aí, como na história da espada, Ele nos usa um pouco e logo nos coloca novamente no fogo, martela, afia. Porque o importante mesmo nunca vai ser o resultado final, mas o processo que passamos para chegarmos onde Deus quer.

quarta-feira, 8 de setembro de 2010

Dessa Vez


Esse ano está passando rápido, nem vi o tempo passar. Não consegui acompanhar a passagem dos dias, só deixei eles correrem ligeiros por mim. O verão deu lugar a um outono onde não vi folhas secarem, embora, despercebidamente, as tivesse como tapete para a sola dos sapatos. O inverno chegou tão rápido e com muita intensidade, não fosse o frio rigoroso atingindo meu rosto, não teria notado o céu cinzento ou as chuvas congelantes na vidraça das janelas.
Passei tempo demais envolta em "não-prioridades" e obrigações que vinham com urgência. Deixei meu primeiro semestre sem notar que os meses haviam passado. Janeiro, fevereiro, abril, julho. Os meses saltitavam pelas páginas do meu calendário. Ontem março, hoje setembro. Logo a primavera vai tomar conta dos meus dias, já notei as árvores floridas através da minha janela, vi um pássaro mergulhar por entre as folhas de uma densa árvore que anuncia a chegada das flores, dos frutos, da presença do sol e do verde nessa selva de pedra em que nos obrigamos a viver.
Dessa vez notei as cores, as formas, a mudança no ar. E dessa vez olhei pro meu calendário, já tão surrado de tanto folhear, e apreciei a passagem de um dia, com calma e sem hora marcada. O tempo passar e levar os dias consigo é inevitável, mas deixar-se preso num calendário que não para de mudar é opcional. Decidi ver os dias passarem, num compasso mais lento, alegre e vibrante, a cara da estação que está por vir e, dessa vez, vou notar quando ela chegar.

quinta-feira, 2 de setembro de 2010

Tempo, tempo, tempo...


...AAAAAAAAAAAAAAAAAAAAH!
Estou me sentindo extremamente cansada. No presente momento, estou abrindo mão de alguns minutos de sono pra escrever aqui, porque não tenho outro horário no qual eu consiga escrever.
Tem muitas coisas muito legais acontecendo na minha vida, mas eu mal consigo assimilar essa felicidade que eu estou sentindo, porque o relógio me puxa pra realidade e eu me encontro atrasada e perdida no meio de tantos tic-tac's ininterruptos.
Tenho cinco livros pra ler, quatro ensaios por semana (às vezes, três, mas sempre dois), aulas pra comparecer, um curso pra ir, um emprego pra me dedicar, pessoas que dependem de mim, uma família que eu mal consigo ver, amigos que vão ficando pra depois, horas de sono que vão sendo adiadas pra nunca serem recuperadas. E tenho pouca idade e muitas responsabilidades. E é isso que mais me frustra, saber que eu não tenho que carregar todo esse peso, não agora e nunca dessa forma.
Eu acabo fazendo tudo meia-boca, tiro o atraso das minhas leituras no ônibus, entre um lugar e outro. Estou sempre com a cabeça na próxima coisa a ser feita e nunca na que estou fazendo na hora. Vou deixando pra depois o que eu gostava de fazer, vou fazendo tudo por obrigação, ou quase tudo. Me faltam meus momentos de ficar em silêncio, de colocar minha vida na minha frente e visualizar ela num geral.
Tem coisas muito importantes que eu fico deixando pra depois e negando também, só porque precisaria despender mais tempo, coisa que eu não tenho. Tem situações que eu preciso pensar em como vou agir, mas não consigo nem encará-las porque elas estão fora da minha rotina estressante.
A única coisa que eu realmente sei agora é que alguma coisa vai ter que ser jogada pro alto. E eu até já sei o que vai ser. Só não sei como que eu vou comunicar isso.