segunda-feira, 2 de janeiro de 2012

Querido 2011,


Sei que você já terminou e que as lembranças que tenho de ti um dia serão poucas. Não, elas não serão poucas porque não são importantes, mas porque, talvez, o tempo leve minha memória de jovem e substitua por uma mais seletiva, que absorva menos do que consigo hoje. Mas é necessário, ainda assim, que você seja lembrado como um dos melhores anos da minha vida. Talvez, o melhor até hoje. Não que isso signifique que não desejei incansavelmente que você terminasse logo ou que aliviasse um pouco meus dias. Não que nós não tenhamos nos estranhado em alguns dos seus dias, dos quais eu fiz parte de todos. É só que você foi muito importante pra mim. Como esquecer do seu primeiro dia com toda a família reunida? Daquelas primeiras semanas de janeiro esperando notícias de quem estava em Gramado? Ou das férias na praia com uma das minhas melhores amigas, vendo o sol nascer e conversando nos fins de tarde sobre Deus e sobre tudo que vinha em mente? Como esquecer de fevereiro e da família nova que eu ganhei? Aquelas seis meninas que ainda hoje permanecem no meu coração e na maioria das memórias que guardo sobre você. Como poderia eu deixar de lembrar das jantas que fazíamos todas juntas na república? Como esquecer do feriado de carnaval e de como tudo mudou por causa dele? Como esquecer daquela quarta à noite em que ele esperou cinco minutos embaixo do meu apartamento pra mudar todo o meu ano? Como esquecer das noites esperando ele voltar da aula para conversarmos um pouco? Das sextas à noite em que eu me preocupava em silêncio e orava pra que ele voltasse bem pra casa? Como poderia esquecer dos trabalhos que me enlouqueceram no início do ano e que eu acreditava que não daria conta? Ou como esquecer do acampamento de páscoa, do blackout, da tempestade no sábado à noite? Como esquecer das viagens para Sapiranga, Bento e Farroupilha? Como esquecer das pessoas que conheci e convivi durante o teu decorrer? Como esquecer dos cafés no fim de tarde com uma das grandes amigas que ganhei esse ano? Como esquecer dos conselhos que ela me dava e das dúvidas que ela respondia? Como esquecer das pessoas que entraram no meu grupo nos sábados à noite e que me fizeram mudar? Como esquecer do tempo com meus pais, tão restrito e tão fundamental? Como eu poderia deixar de lembrar das viagens em São Paulo e de como aquela briga mudou quem eu era? Como esquecer das minhas férias de inverno em casa? Como eu poderia esquecer do dia 27 de julho com os pássaros de dobradura espalhados pela casa? Como esquecer dos primeiros meses de namoro, dos últimos meses com minha família de sete, do casamento da minha irmã, das dúvidas sobre faculdade, dos amigos que ganhei, das formaturas que fui, das surpresas, das conversas, das cartas que recebi? Como eu poderia esquecer do passeio em Bento no final do ano? Como eu poderia esquecer do natal com fondue ou da tua última semana em Santa Maria? Como eu poderia esquecer do sorriso com que eu pude deixar você passar e recepcionar o ano que vinha? Não posso esquecer nunca disso, não quero esquecer. Serão lembranças, porém, antes de fechar a caixa e rotulá-la com teu nome, 2011, eu preciso te dizer: como foi bom viver esse ano, compreender situações e pessoas com olhos diferentes. Como foi bom ter mudado e entender que a mudança não termina contigo, que as pessoas, os lugares, os momentos que passei foram especiais, modificaram a mim, modificaram pra sempre. Sempre.

"Serão lembranças queridas, do futuro e da memória. Pra sempre será coragem, pra sempre será vitória!" Forfun

quinta-feira, 15 de dezembro de 2011

Fragmento da realidade


Não é só caminhar, só passear, só sair de casa; é bem mais que "só" isso. Me deparei com a pequena verdade de que gosto daquilo que poucos veem e muitos passam batido. São aquelas frases que se ouve em uma conversa paralela, uma bola gigante daquelas com neve dentro, uma criança que te dá oi sem nem ao menos te conhecer. É "só" isso, mas é muito pra mim. Não que as situações que chamam a atenção geral não me façam olhá-las. Mas é que essas meio escondidas e tão mais comuns me parecem importantíssimas também. Como a cena da foto, não pude deixar de notar esse menino tentando arrancar o cercadinho da decoração de natal do shopping para alcançar o pinguim em sua frente. Esse menino se esforçou durante um certo espaço de tempo para tentar alcançar de qualquer forma aquele pinguim, nem que fosse somente um dedo e por bem menos tempo do que o de seus esforços para chegar até ali. Aquele pequeno espaço de tempo arrancou uma risada de mim, até deu tempo de pegar a câmera e registrar.
A simplicidade é o que me chama a atenção. Não somente o fato de ela andar esquecida por nós, mas também o fato de que ainda tem muita gente que vive somente dela, como o menino que, provavelmente, sairia com um sorriso de orelha à orelha por ter alcançado o pinguim da decoração.

sábado, 3 de dezembro de 2011

There's no place...

...like home.
Eu sei que eu moro há algumas quadras daí, desse lugar que durante anos eu chamo de casa. Eu sei também que eu vejo vocês quase toda semana, um dia ao menos em cada uma delas. Sei que o amor não diminuiu, que ele cresceu mesmo com a distância parcial entre nós. Eu sei de tantas coisas, que fica difícil dizer todas elas, fica difícil exprimi-las em pensamentos carregados de sentimento. Mas eu as sei, hoje, talvez, mais do que nunca. Eu sei como é querer correr pro abraço apertado e seguro de vocês e muitas vezes não o ter ali, do ladinho, pertinho de mim. Sei como é querer contar uma novidade e ter que esperar alguns dias para contar pessoalmente. Sei como é querer conselhos em horas críticas e consegui-los pelo telefone. Ah, eu sei, sei sim. Eu sei também como é não ter a comida com gostinho de comida caseira, como é não ter os sapatos emprestados, os cafés juntos no meio da tarde, as horas de conversas profundas e as horas de ficarmos todos parados, juntos. Senti tanta falta disso durante esse ano que durante muito tempo acreditei que não iria me acostumar. Mas aí o tempo passou e eu acostumei, até porque essa era a opção que eu tinha. Mas agora, que falta tão pouquinho pra voltar e ter tudo isso novamente, só consigo pensar em uma coisa para dizer a vocês: me esperem, abram novamente as janelas do meu quarto, façam planos e me incluam novamente. Me esperem, eu estou quase chegando.

sexta-feira, 25 de novembro de 2011

Ela vai casar...


Nem consigo lembrar o exato momento que ela entrou na minha vida, afinal, eu cheguei depois. Ela sempre foi minha família, porque desde que eu cheguei pra completar a família, ela já estava lá há algum tempo. Não me recordo tanto sobre os fatos da infância dela, mas tenho certeza que ela lembra com muita nitidez da minha própria infância. Lembro da adolescência dela e também do início da fase adulta. Acompanhei tudo de perto, pra falar bem da verdade, fui sua companheira de quarto durante anos, até que nós nos mudamos e aí éramos vizinhas de quarto, uma porta de frente para a outra. Mesmo com a divisão de quartos, lembro das noites que ela ia até o meu quarto e dormia comigo porque eu estava doente ou porque ela tinha encontrado algum bicho no quarto dela. Me lembro de como fazíamos tudo juntas, academia, dança, compras. Sempre fomos muito próximas, isso nunca vai mudar. Agora, no entanto, tem muita coisa mudando. A gente cresceu um pouco mais, esse ano eu morei fora de casa e estou quase voltando, no entanto, ela está saindo pra não voltar. Não importa, ela pode morar bem longe de mim se assim ela quiser, pode ser que ela até não mantenha tanto contato assim comigo nesse futuro próximo. Mas vai ser sempre amor, vai ser sempre perto, vai ser pra sempre companheirismo. Hoje ela vai casar e parece que eu sou a irmã mais velha, emocionada com o quanto ela cresceu e com o quanto a vida dela mudou. Afinal, acompanhei tudo de muito perto.

Te trago sempre no coração, estou muito orgulhosa de ti. O tempo te tornou linda, eu te amo profundamente. É uma honra, hoje, ser tua madrinha, minhã querida irmã.

quarta-feira, 16 de novembro de 2011

Luzes


Ela havia esquecido o que era esperança, talvez os sonhos já estivessem tão gastos que já nem se esperasse mais nada da vida, ou das pessoas. Era aquele viver sem espera, se vive o que tem pra viver e acaba o dia sem sentimento algum, cumprimento de tabela sem fim. Ela não notava muito que era assim que as coisas estavam acontecendo, não notava para onde a vida estava rumando, eram apenas levas de dias que iam e vinham, com uma velocidade um pouco mais devagar do que o desejado. Mas naquela noite algo aconteceu. Olhando pela janela do seu quarto andar, notou, não muito longe dali, uma sala escura com luzes a piscar. Luzes coloridas, tons vibrantes e tão, tão vivos. Para ela não foi difícil desvendar o que aquelas luzes simbolizavam, elas envolviam uma enorme árvore de natal. E então ela se deu por si, pouco mais de um mês para a data que ela mais aguardava durante todo o ano. Era uma questão de gosto, mas também de reflexão. E, pra quem já se havia desfeito de todas as esperanças, ela se viu vidrada, sonhando pela janela. Aquela imagem, vista do seu quarto andar, a fez mais uma vez esperar. E que espera boa seria aquela, pouco mais de um mês de esperanças e significados que a prendessem a algo mais do que apenas aqueles dias sendo vividos na tabela da sua vida.

segunda-feira, 14 de novembro de 2011

Clichê


Ele entrou na minha vida numa hora que eu não acreditava ser a certa, mas era. Ele faz parte da minha vida, e vice-versa. Eu guardo horas da minha semana pra passar com ele, mas às vezes também tenho ele naqueles dez minutos entre uma coisa e outra. De qualquer forma, ele ocupa meus pensamentos diariamente, inevitável. Eu sei que ele me ama mesmo quando passamos o dia sem se falar e ele sabe que eu amo ele mesmo quando permaneço calada. Acho que nós compreendemos essas pequenas coisas com o passar do tempo, entendemos mais, nos afinamos mais. Ele é a certeza das minhas férias incertas e também é minha parte pensante quando meu cérebro decide folgar. Eu sou a parte elétrica e preguiçosa, ele é a parte calma e preguiçosa. Clichê demais, mas talvez realmente exista essa coisa de metade da laranja. E, pra quem achava que era uma laranja completa, me vi cortada pela metade. Quem bom entender por que aos poucos a vida vai deixando de ser só minha e vai ficando um pouco mais parecida com a nossa cara.

quinta-feira, 10 de novembro de 2011

Sobre a rotina


Que falta me faz escrever, ter uma boa leitura que eu mesma decidi tirar da estante, algumas noites livres, um cd novo e bom pra ouvir até furar, uma coreografia prontinha pra apresentar, uns amigos que se perderam no caminho, umas palavras que deveriam ser repetidas de novo e mais uma vez.
Corre todos os dias, o tempo todo. Corre contra o tempo, porque ele não gosta de estar a nosso favor. Faz os trabalhos e descobre que sempre vai faltar um. Descansa quando dá, se dá e porque se permitiu isso.
Lembra de tudo que se sente falta e guarda, aguarda. E se o tempo der uma trégua, ele se põe a correr e trás logo essas férias.