quarta-feira, 12 de maio de 2010

A verdade nua...


...e, de certa forma, crua.
É isso. Lidar com pessoas, se relacionar com elas e ainda confiar e esperar delas, causa dor. Porque pessoas não são perfeitas. Porque relacionamentos não são perfeitos. Porque a vida não é perfeita. E nós continuamos buscando perfeccionismo ilusório em situações e pessoas. O fato é que nós nunca iremos aprender a lidar inteiramente com as pessoas, não antes de morrermos. E depois da morte não precisaremos mais desse conhecimento.
Já vi de quase tudo nessa vida e o suficiente por enquanto. E não foi uma ou, sequer, duas vezes em que presenciei relacionamentos terminando. E quando tudo o que tu acreditava ser firme e duradouro o suficiente vira cinza? Como pode aquele amor jurado e dito eterno acabar e se esvair após um tempo? Isso não é uma contradição? Eu sinto, ainda hoje, a dor das pessoas que terminaram relacionamentos em mim também. Eu sei exatamente o tipo de dor que isso causa, por causa das minhas tentativas inúteis de procurar amor onde não se encontra, mas isso não vem ao caso agora.
Por esse tipo de dor que se sente é que eu continuo a afirmar que não devemos nos relacionar cedo, nem com uma pessoa que julgamos ser de um jeito, nem com alguém que recém conhecemos, nem com alguém que não acredite no mesmo que nós. Não devemos encarar relacionamentos como jogos ou como algo descartável, mas como algo sério o suficiente para quebrar um mundo se der errado.


'E se tudo der errado em um final mal acabado e o silêncio tomar conta de você. Seus segredos mais secretos, seus romances mais singelos. O que sobra entre o ódio e o coração?' Nx Zero


(baseado em um fato presenciado recentemente. Apenas presenciado.)

segunda-feira, 10 de maio de 2010

Bastidores



Inconstante, sensível, sentimental, chorona, bipolar as vezes, chata, irritante, teimosa, monga, desligada, feliz, desajeitada, eu. Nem mais nem menos, nem muito nem pouco. Só eu. Cheia de defeitos. Nunca perfeita, sempre perfeccionista. Insegura por natureza. Triste se necessário, dramática aos montes. Exagerada na alegria, indiferente nas minhas pequenas dores. Carente de abraços, atenção e sorrisos. Extremamente apaixonada pelo que me faz bem e por algumas coisas que não fazem tanto bem assim. Saudosa (do termo 'sentir saudade') de amigos, de épocas, de escolhas, de tempos. Inteligente no que desperta interesse em mim, burra em outros tantos fatores. Sincera ao extremo, crítica convicta de mim mesma. Exigente comigo, incentivadora com os outros. Mãe de todo mundo, preocupada com o bem-estar dos que me cercam. Dependente dos meus pais em quase tudo, de Deus em tudo. Pequena fisicamente e limitada psicologicamente. Contrária à toda forma de afeto falsa, à jogos no amor, à palavras agradáveis mentidas. Amante da dança, das músicas da minha playlist, da escrita, dos sentimentos sinceros. Ingênua naturalmente e por opção. Humana, em todos os aspectos, de todas as formas, em todas as línguas, o tempo todo, nas melhores e piores horas. Sempre humana. Inteiramente incapaz de agradar a todos.
'As coisas não são sempre o que parecem ser, você só está vendo uma parte de mim. Há mais do que você jamais poderia saber, nos bastidores.' Francesca Battistelli

domingo, 9 de maio de 2010

Zelo


Definição: empenho solícito em procurar o bem próprio ou alheio. Cuidado, interesse, desvelo.
Já fazia um bom tempo ela havia declarado que viveria por e para Ele independente do que acontecesse. Ele a segurou durante a tempestade, lhe deu roupas secas, a pegou pela mão, lhe deu motivos para sorrir, a segurou no colo, nunca a abandonou. E o mínimo que ela podia fazer era agradecê-lo pelo cuidado que Ele tivera com sua vida. Ela sabia que não era uma pessoa fácil de lidar, sabia de suas inconstâncias, medos, problemas, desejos... Ele também sabia de tudo aquilo e, ainda assim, a amava incondicionalmente. Ele prometera que iria ficar tudo bem e ela se agarrou nessa promessa firmemente.
O vento veio, tentou derrubá-la uma, duas, três vezes, mas ela permanecia agarrada nele. Os problemas vieram, as mudanças foram exigidas, ela lutou e conseguiu vencer. Ser maior que tudo aquilo se baseando na força dele.
Ela recebeu um grande presente nas mãos. Durante um espaço de tempo ela teve aquilo como uma jóia rara e ela entregava a Ele aquele presente dia após dia, pra que Ele com seu cuidado perfeito fizesse isso através dela.
E ela continuava a sussurrar baixinho noite após noite 'tu pode me mostrar tua vontade? Pode segurar isso por mim? Me ensina o que eu preciso saber. Isso também é teu e eu sacrifico se tu quiser.'. Não era nada fácil pronunciar aquelas palavras, era a vontade dela sendo deixada de lado, mas sabia que era o melhor.
Então Ele mostrou todo seu cuidado. Mostrou que aquele presente não era o que ela necessitava naquele momento, que Ele tinha outros planos e que por mais que ela tivesse aprendido muito com toda aquela situação era hora de o sacrifício ser concretizado. Então ela, ainda exitando por causa de sua fé humana e imperfeita, entregou o presente e o viu ser sacrificado por Ele. Não era punição, era simplesmente cuidado. Era um cuidado que ela não havia presenciado ainda. Era a forma dele de mostrar que Ele havia revelado sua vontade e que Ele tinha o melhor. Ela chorou e sabia que ainda acabaria chorando algumas noites por causa disso. Mas ela, agora, conseguia compreender o tamanho do cuidado que Ele tinha pela vida dela. Ele sempre estaria ali, ela continuaria vivendo por e para Ele. E ela seria grata nisso também.

'Tu és o grande Eu sou, mais do que eu posso entender. Eu compreendi ainda mais que preciso de Ti.' Jeremy Camp

quinta-feira, 6 de maio de 2010

Tão Somente


Não era a primeira e nem seria a última vez em que ela sentava no colo do Pai e apenas chorava. Já faziam muitos anos que essa cena se repetia, variando apenas nas situações. Ela já não era uma criança pra chorar como ainda o fazia, mas ela sentia necessidade disso. Em meio aos soluços e fungadas ela tentava dizer, mesmo sendo repetitiva, que ela se envergonhava de não confiar nele. Ela sabia muito bem o que Ele podia fazer se ela tão somente confiasse. Mas o problema não era saber, era que ela volta e meia deixava seus medos serem maiores que suas certezas.
Ela abraçou o Pai com todas as suas forças e disse que queria aprender a confiar nele da forma certa. Havia cansaço demais evidenciado pelas olheiras escuras que pesavam debaixo de seus olhos.
O Pai pacientemente a olhou e lembrou-a de algumas das milhares de vezes em que Ele demonstrara seu amor por ela organizando e cuidando de sua vida. Ele a segurou firmemente no colo enquanto lhe contou sobre as noites em que Ele passara trabalhando para dar a ela um futuro seguro e bem planejado. Ele, diferente dela, não aparentava estar cansado. Seu rosto era de compreensão e havia também traços de tristeza. Ele via e sentia o cansaço gritando através do corpo dela, e Ele se aborrecia ao saber que só poderia tirar esse cansaço e insegurança dela se ela permitisse e confessasse a Ele seus medos e dilemas mais profundos.
Ela queria muito entregar tudo e dizer ao Pai que nunca mais iria precisar desse tempo de angústia e cansaço. Mas, ainda que no fundo, ela sabia que logo estaria de volta àquele mesmo lugar, toda encolhida no colo do Pai, chorando novamente. E Ele também sabia e não se importava, desde que ela voltasse com aquela mesma sinceridade gritando através de seu corpo 'eu preciso aprender a confiar em ti, me ensina?'. E Ele responderia que sim e que tudo ia ficar bem se ela tão somente confiasse.
'Tu conheceste meus sonhos e Tu tens um plano.' Hillsong
'Menina, eu vou te mostrar que o mundo vai além do que você pode sonhar.' Restart

domingo, 2 de maio de 2010

Receita


Enxurrada de pensamentos, sentimentos, novidades, medos. Talvez fosse mais fácil acompanhar tudo isso se eu não levasse milhões de 'tapas na cara' de Deus a cada semana que passa. Não, Deus não está me punindo nem nada. Ele está me ensinando a árdua tarefa de confiar, entregar e descansar. Geralmente as pessoas leem isso e dizem 'ai que bom!'. Sim, é bom. Mas é difícil, dói, volta e meia o sacrifício vivo quer fugir do altar. Bom, eu sou o sacrifício e Deus tem me ensinado o quanto pode ser renovador permanecer no altar. Tanta coisa mudou, já não posso pensar somente em mim e às vezes eu fico com medo disso. E lá vamos eu e Deus novamente aprender o que Ele quer com isso. Minha arrogância e meu orgulho são constantemente quebrados porque, toda vez que eu tento achar que eu sou boa o suficiente, Deus me mostra zilhões de atitudes e pensamentos que eu preciso mudar. E pra quem queria ser a 'certinha' sempre, isso vira contraditório.
Sabe o medo que eu falei? Ele me faz colocar os pés atrás e não nas mãos de Deus, tira meu sono, me faz duvidar se tudo realmente vai ficar bem. E eu odeio, odeio, odeio sentir isso. Semana passada lá fui eu super espiritual falar pro meu pai que faltava confiança em Deus. Toma na cara, Bárbara! Agora eu venho me repetindo que é isso que falta em mim também. Muito fácil apontar o cisco no olho do outro.
Ok, eu tenho aprendido muito, demais mesmo! Mas enquanto eu não aprender a receita de 'confiar, entregar, descansar' eu vou continuar sofrendo tentando controlar meus medos e minhas dúvidas.
Deus, Tu pode vir e ser minha confiança, descanso e paz? Eu, sozinha, não consigo.

terça-feira, 27 de abril de 2010

Admitir


Alguém já ouviu falar sobre 'admitir é o primeiro passo para a recuperação?'. Talvez se eu admitisse mais e fingisse menos eu estaria me recuperando, mas nem o primeiro passo eu dei ainda. Eu vivi muito tempo fingindo uma vida perfeita. Eu sorria o tempo todo, nada me atingia e eu me bastava. Aí eu aprendi duramente que não era assim. O mundo não girava ao meu redor, o amor não era um jogo e eu nunca me bastaria. Quando me dei conta de cada uma dessas verdades já era quase tarde demais, precisei mudar os conceitos que havia feito parte de quase toda minha vida. Ser arrogante não era algo admirável e viver acreditando que o amor era um jogo não me isentava de ferimentos graves. E, tenho que admitir, perceber isso me trouxe a tal da 'baixa auto-estima', as noites mal dormidas, a vulnerabilidade.
Então, mais uma vez eu optei camuflar minhas verdades por ter medo que elas fossem reais demais. Eu convenci a mim e a alguns outros que eu era insensível. Eu agia como tal. Depois de algum tempo, repetindo esse termo e unindo-o à minha personalidade, alguns acreditaram incluindo a mim. Mas não era verdade, não é verdade. Eu sou sensível, talvez até demais. Eu fingia não me importar com os sentimentos dos outros e nem com os meus próprios. Mas aqui estou eu me desfazendo de todas as máscaras. Eu realmente me importo, talvez eu não faça nada com o fato de me importar. Mas eu precisava dizer que me importo.
Talvez eu nunca mais consiga admitir tão abertamente, talvez eu deixe de fingir isso. Mas nunca se sabe, então, me ouçam pelo menos dessa vez e guardem bem todas essas palavras. Não sei quando conseguirei repeti-las novamente.
'O silêncio não é tão ruim
Até eu olhar para as minhas mãos e me sentir triste...
Vou encontrar repouso em novas maneiras
Embora eu não durma há dois dias
Porque uma nostalgia fria me arrepia até os ossos.'
Owl City

segunda-feira, 26 de abril de 2010

Tic tac, dezessete


Ela queria tudo e nada ao mesmo tempo. Fazer aniversário era como se ela morresse um dia antes para nascer de novo no outro dia, mesmo que pela décima sétima vez em sua vida.
Ela. Eu. Preferia me referir a mim como 'ela', fazia mais sentido falar na terceira pessoa. Ela era eu, só que vista de cima.
Ela ficou seus últimos minutos parada em meio ao quarto olhando-se no espelho. Aquela imagem, repleta de traços difíceis de se desenhar (segundo um amigo), ora sorrindo, ora encarando... Seria a mesma imagem do dia seguinte, mas na identidade constaria um ano a mais carregado nas costas. E quanta coisa aconteceu em um ano! Ela mal conseguia assimilar a quantidade de fatos que havia ocorrido, mas ela sabia quem havia se tornado. Talvez o rosto fosse o mesmo, mas via-se pelos seus olhos as marcas do tempo. Através dos seus olhos podia-se rapidamente constatar que alguns passos foram em falso e depois de um tempo viraram cicatrizes. Essa era ela, cheia de cicatrizes obitdas ao longo do tempo. O tempo, ele havia passado, já fazia um ano desde que ela parara para notar os ponteiros correndo velozmente.
Hoje era o dia da casa estar cheia de balões, preparada para uma verdadeira festa. Mas ela só conseguia olhar para os ponteiros e agradecer por saber que cada 'tic tac' da sua vida já estava nos planos de Alguém.
Parabéns, pra ela.